domingo, 29 de março de 2009

TOC

Eu tenho TOC
TOC
TOK
TOQUE
Eu ria das pessoas
Eu rio da Débora-personagem que tem TOC
Mas eu tenho TOC
E é foda
Eu sabia de um dos transtornos
Mas venho descobrindo mais a cada dia
Acho que o mundo tem TOC
A gente tem que esperar o sinaleiro ficar vermelho para os carros para atravessar
Nos ensinaram a ser doentes
A gente tem que obedecer a tantas regras
Que nos acostumamos a ser ridículos
Como aqueles que tem, como eu, TOC
Você não confere se o gás está fechado antes de sair e casa?
Quantas vezes?
Você não olha na sua bolsa pelo menos 5 vezes da saída de casa até o portão para confirmar se está tudo lá?
Você não conta as moedinhas do ônibus mais de uma vez para conferir e não pagar um baita mico?
Eu tenho TOC
E eles são sociáveis
Mas tem gente incomodada com meu TOC
Eu não posso ser diferente?
Eu não posso ser humana?
Por que você não vai cuidar do seu passado e me deixa viver meu presente em paz?
E você aí, por que não vai cuidar do seu futuro?
E você então? Vai ser mais querida com os seus pra vir falar de mim.
Me deixem quieta com meus TOCs
Me deixem quita com minhas manias
Assim vocês facilitam as nossas vidas
E se não me quiserem
Foda-se
E posso não gostar de gente como você
afinal, eu tenho TOC

Tristeza batendo a porta

Às vezes
Quando achamos que há sol
A tristeza bate a nossa porta
Com trovões que nos amedrontam
Nos entristecem
Nos magoam até
Às vezes
Eles são nossas próprias mentes
Que o fazem
Mas eles incomodam
E o fazem parar pra pensar
E o fazem ver que
Apesar dos teus erros
Não há nada a se fazer
Que o que pode ser arrumado
Será
Ou foi
Mas o que não pode ser consertado
Existe
E existirá por vezes
E ainda incomodará
Então as lágrimas o invadem
E você se sente
Inútil
Com as mãos atadas
Porque alterar construções divinas
É impossível
E você só pode pedir ajuda
Luz
Mas não pode fazer nada
Só pode pedir compreensão
mas você ainda pensa
em como fazê-lo
e sabe que não há como
Então você se sente ainda pior
Porque os raios caem na sua cabeça
Em dúvidas
De como será
Por conta disso
E o medo te ameaça com redemoinhos de vento
Que não saem da tua mente
E você nada pode fazer
Então há solução
São lágrimas caindo como o orvalho
E esperando o dia amanhecer para secá-las
Mas sabendo que outra noite qualquer
Cairá chuva lá fora

Será diferente? Me responda sim

Há de ser diferente
Não é direito que seja perfeito
Erros existiram e existirão
Em menor quantidade, isso deve-se
Mas ainda o existirão
Porque somos humanos
E nem tudo é verão com arco-íris
Eu não vou aceitar tudo sempre
Mas às vezes poderei
Eu vou querer que seja diferente
Mesmo sabendo que não poderá
Eu posso tentar
Mas haverá dias que eu não estarei disposta
E você deverá me entender
Você terá dias não muito bons também
E eu vou entender
Prometo ao menos tentar
Mas não vou ouvir o que pensam
Isso sei
Ouvirei apenas o que eu mesma sei
O que eu digo para mim
Não deixe de ouvir a você antes deles
Eles não são isso
Que só nos conhecemos
E por isso
Cuide-se cada um como pode
Ou acha que deve
Eu posso aceitá-los
Mas não posso fingi-lo
Por isso posso às vezes não o dizer
Mas posso também omitir para que não saibam
E Deus me perdoaria
Apesar da mágoa que eu mesma me faria
Por não ter sido eu ali
Mas por bom motivo
Eu não vou aceitar tudo sempre
Mas às vezes poderei
E há de ser diferente

sábado, 21 de março de 2009

TPM

Só me olham
e eu cheia de dores e humores
Me pedem paciência e gratidão
mas não são eles que se sentem num turbilhão
Eu tento, eu respiro
mas eu só piro
me acalmo, mas de ansiedade transpiro
Me prendam numa jaula
não adianta querer me dar aula
Eu sei como é
e não me chame de filé
Nada vai me tirar dessa pilha
só me resta ficar numa ilha
Você sabe que isso não vai passar
o negócio , meu filho, é rezar
Eu tenho isso todo mês
e você já virou freguês
Me perdoe ser tão boçal
eu estou com tensão pré menstrual.
Vanessa Pampolini

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mais uma Rapidinha....

Não me olho mais no espelho
com medo de já não ser
e só te ver

Frenesi



Teu olhar profundo
Me despindo até a alma
Coloca de cabeça pra baixo meu mundo

Tua boca quase a salivar
Pedindo por mim
Eu nem penso duas vezes para me entregar

Tuas mãos quentes e fortes
Me tomando para si
Aqueço-me e já não sou mais dona de mim

Teu calor já não é seu
Me confundo em tuas pernas
E teu eu já sou eu

Sussurros e segredos
Que só nos dois ouvimos
Perco todos os meus medos

Quando o destino não te dá chance

Primeiro um olhar
Depois dois deles se cruzam
Se os lábios sorrirem juntos, e os olhares quiserem sem sucesso fugir, é sinal que eles querem se encontrar
E se encontram novamente numa lenda e serena valsa
As mãos tomam atitude e começam se incomodar, tirando qualquer sossego que restava
Tudo responde à elas, não mais à você
E você tenta fugir mas suas pernas não obedecem e tentando fugir uma das mãos que não era a tua, te prende, te segura, e é fácil pra ela, pois não encontra resistência
E os lábios não resistem à proximidade
E quando naquele momento você esquece tudo, depois olha nos olhos e diz coisas lindas e sem pensar nas conseqüências, e ainda assim, se sente feliz com isso, estrelas brilharão no teu céu, e todas as noites haverá chuva de prata e ainda, ao amanhecer o orvalho estará no teu jardim.

domingo, 15 de março de 2009

OFICINA DE TEATRO (Teatro Cultura)



O Teatro Cultura estará com Oficinas de Teatro para crianças, adolescentes e jovens a partir de Abril de 2009. (Turmas no período da tarde e noite).


Na Oficina o aluno desenvolverá as seguintes atividades:

* Jogos de sensibilização e integração
* Desenvolvimento da criatividade
* Expressão Ccorporal e Vocal
* Jogos Dramáticos
* Leitura dramática
* Jogos teatrais
* Concentração
* Improvisação


Ministrantes:



Jeferson Walaszek, em formação pela Faculdade de Artes do Paraná.
Experiência em montagem e recreação infantil, leituras dramáticas, contação de estórias, vitrine viva e vídeos; Hoje é integrante da Companhia de teatro Trupe Clandestino.

Vanessa Pampolini, experiência em montanges infantis e adultas, vídeos e fotografia. Atualmente atua na Companhia Anjos Boêmios e com Teatro Paranaense de Comédias, que recebeu o prêmio de melhor espetáculo saltimbancos 2008, pelo Teatro Guaíra (Prêmio Gralha Azul);

Edson Vanzo, experiência de palco forte com público infantil e terceira idade. Você pode conferir os trabalhos de Edson no próprio Teatro Cultura.

Todos os ministrantes possuem média de 10 anos de experiência no teatro, e possuem registros profissionais.

O Teatro Cultura, está há dez anos em funcionamento no centro cultural de Curitiba, na Praça Garibaldi, nº 39, no Largo da Ordem (em frente ao Relógio das Flores).
Informações podem ser obtidas no local ou pelo telefone (41) 3224-7581

Sou...

Às vezes sou Analice
outras Lu
De vez em quando
em Rosinha me transformo
E quando dou sorte
viro a Celinha
Todas elas e tantas outras
me dão muita alegria
mas aquela que mais me agrada
é aquela que é tua
só tua
nua de máscaras
aquela que não precisa falar alto
pra ser ouvida
fala com sentimentos e
nem precisa de palavras
com um olhar
sou entendida
num abraço me desmonto
viro em sorrisos
e gargalhadas
com bobagens que só nós dois
entendemos
Essa eu, que não tem nome nem
sobrenome
é só a “tua”
que é a real
a que eu escolho todos os dias
quando acordo e faço uma opção
de quem e como ser hoje
todo dia

Eu queria ser

o lençol que dorme com você todas as noites
o travesseiro que compartilha seus sonhos mais sublimes
o cobertor que aquece seus pés em noites frias
o sol que te acorda todas as manhãs
o pôr do sol que acompanha teu caminho para casa
a lua que vigia teu descanso
a música que alegra seu dia
a chuva que acalma teu semblante
e se não puder ser tudo isso
que eu possa acompanhar todos eles
só para me manter ao teu lado

A excomunhão da vítima

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Miguezim de Princesa

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.


(Comentários são desnecessários! - VP)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Amor Universal

Alguns dizem que o mundo está um caos.
Que o fim dos tempos está chegando.
Que o ser humano não tem mais amor.
Eu discordo.
Acho que sim, há muita maldade, mas que o amor ainda supera todo ódio que vemos.
O mundo não é só você. A tua família não é só a tua família.
Conheço várias famílias em pé de guerra, por motivos que nem elas mesmas sabem, ou sabem, e são tão banais, que nem elas acreditam quando param para pensar.
Mas eu aprendi com alguém muito especial, que o mundo é a nossa família.
Quantas vezes amamos alguém (e não estou falando de relacionamentos homem x mulher) e não somos retribuídos. Somos até humilhados. Pisam nos nossos sentimentos. Não são gratos à nossa amizade, ao nosso amor, e ainda, buscamos migalhas deste amor, em vão.
Eu lutei muito.
Eu sofri muito.
Eu cansei.
Decidi que vou destinar meu amor a quem merece. A quem o retribui. Não importa se é teu parente sangüíneo. Você tem pais, mães, tios e irmãos no mundo.
Todos somos filhos de uma mesma luz, estamos na mesma dimensão.
O que são os amigos, se não irmãos que pudemos escolher? O que são amigos mais novos se não filhos que adotamos? O que são amigos mais velhos, se não pais que nos adotaram?
É assim.
Ame quem te ama. Não se importe com o elo terreno.
Se importe com o elo do coração.

Dedico à Kelly, minha anja iluminada

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ser normal?


Normalidade é uma ilusão imbecil e estéril

(Oscar Wilde)

terça-feira, 10 de março de 2009

Como é ganhar um Gralha azul?



Indescritível.

Ok. Eu não fui indicada como melhor atriz, atriz coadjuvante, ou atriz revelação, ou mais ainda, com direção (AINDA), mas eu estava lá, nas cadeiras reservadas sendo indicada junto à Neusa Cascaes e Fausto Cascaes com a peça “O garanhão da melhor idade” como melhor peça Saltimbancos para o Troféu Gralha Azul – Teatro Guaíra 2008.
Eu nunca tinha participado de uma indicação, nem sequer tinha ido assistir à premiação.
Enfim, estava eu, lá, na porta do Guairinha, dia 10 de março de 2009, às 19.22 h., esperando o teatro abrir às 19.30 h..

Logo chegaram meus amores e torcedores, minha melhor amiga, Janaina Pereira (também atriz), e meu amor, companheiro, amigo, amante, Fábio Kuchanovicz. Pouco depois, Neusa e Fausto Cascaes, junto com sua pupila, filha, neta, apoiadora, Suelen.
Ali vi várias pessoas da classe, conhecidas, e não, antigas e nem tanto. Diretores, atores, curiosos, malucos, antigos e atuais colegas....

Logo que as portas se abriram, juntei-me à Neusa e Sr. Fausto, e sentei-me muito orgulhosa, numa das cadeiras reservadas aos indicados. Eu sei que pra tantos, isso possa parecer uma tolice, mas para mim foi um momento inesquecível, mágico. Ao meu lado, Janaina e Kucha, me apoiando, e espiritualmente, minha mãe e minha vó, em casa, que torciam e esperavam ansiosas por uma ligação minha dizendo “Sim. Ganhamos!”.

Para mim era como um “The Oscar go to...”, e lá começaram Áldice Lopes e Bia Reiner aos trabalhos da noite.
Vamos aos premiados:

- Coreografia foi para CARMEM JORGE, pela peça “Peter Pan e a terra do nunca”;
- Texto original ou adaptado foi para PATRICIA KAMIS, pela peça “Nacional Kids”. Esta merece destaque no recebimento do prêmio, já que tenho certeza que não emocionou só a mim, mas como a muitos na platéia, agradecendo à tantos, mas à família em especial, que a apoiou na sua decisão de ser artista, uma profissão tão difícil nos dias de hoje.
- Maquiagem foi para MARCELINO DE MIRANDA, pela peça “O Circo Mundi”;
- Adereço foi para CRISTIANE CONDE, pela peça “Estórias brincantes de muitos paizinhos”, que não se destacou tanto no recebimento pela sua ausência justificada, mas se destacou pela representante que mandou em seu lugar para recebimento do prêmio, uma criança linda que emocionou os presentes;
- Cenário foi para LEOPOLDO BALDESSAR, pela peça “O Diabo é meu amigo”, prêmio recebido pelo Fiani, que dirigiu brilhantemente a peça (essa posso falar de cadeira, pois assisti);
- Figurino foi para CRISTIANE CONDE, com a peça “Estórias brincantes de muitos paizinhos”, recebido novamente pela criança, da qual eu ainda não sei o nome;
- Sonoplastia foi para JADER ALVES, indicado duas vezes nesta categoria, com a peça “Habituès, O longo caminho noturno de dois freqüentadores d boteco”;
- Iluminação foi para ANRY AIDER, com a peça “Contos proibidos de Antropofocus”;
- Revelação atriz/ator e Criadores foi para MAREN MIRANDA, com a direção de “Não assim tão longe”, que foi receber seu prêmio emocionada, quase sem palavras. Mauren foi uma revelação no Gralha 2008, mas eu a vejo há anos nos palcos, brilhando. E este com certeza foi um prêmio merecido por esta e tantas outras peças que já atuou;
- Ator coadjuvante foi para FERNANDO KADLUBISKI, pela peça “Laranja Mecânica” que tirou risos e lágrimas da platéia ao beijar o chão do Guairinha e ler suas duas folhas de agradecimento, escritas no dia da premiação, pela manhã, na esperança de poder lê-las logo à noite;
- Atriz coadjuvante foi para GIOVANA DE LIZ, pela peça “Entre lágrimas e cutículas” que foi muito bem representada pelo querido George Sada, que leu seu agradecimento;
- Ator foi para RANIERI GONZALEZ, pela peça “Os psicólogos não choram”, a qual eu confesso não ter assistido, mas que com certeza foi um prêmio merecido pela sua atuação nesta, em tantas outras, e por levar o nome do teatro paranaense ao Brasil;
- Atriz foi para SONA BACILA, pela peça “A Gorda e o anão”, que emocionada contou a história de sua carreira, iniciada há 30 anos;
- Composição musical foi para ARY GIORDANI e DENIS MARIANO, pela peça “Circo Mundi”;
- Direção de espetáculo para criança foi para EDSON BUENO, pela peça “Teimosinho e mandão em dois idiotas sentados cada qual no seu barril”, que foi ovacionado pela classe, depois de ter sido agradecido por colegas em outros prêmios;
- Direção foi para GEORGE SADA, com a peça “Entre lágrimas e cutículas”, numa disputa com Fiani e Edson Bueno;
- Espetáculo saltimbancos (que deixarei para o final);
- Espetáculo para crianças foi para TEIMOSINHO E MANDÃO EM DOIS IDIOTAS SENTADOS CADA QUAL NO SEU BARRIL;
- Melhor espetáculo foi para TROPEÇO, da Tato Criação Cênica, que ainda recebeu o troféu Epidauro, concedido pelo Consulado da Grécia.

Sem contar as homenagens feita no decorrer da entrega, como técnico do ano, para ADAUTO CEZAR DE OLIVEIRA (O magrão), que nos emocionou, confessando que esperou por dez ano o prêmio, e ainda, o dedicou à colegas que já não estão entre nós, mas que foram seus mestres.
E como Prêmio especial, para WASYL STUPARYK, pelos seus cinqüenta (isso, 50, se você entende melhor assim) anos de carreira artística e técnica, especialmente na área de sonoplastia.

Ainda, homenageados da noite foram colegas destaques que já nos abandonaram, mas que estão, com certeza olhando por nós. Entre um dos destaques, Mario Schoemberger, que nos abandonou há quase um ano, em 14 de maio.

Estes foram os premiados e homenageados, mas como pulei, propositalmente o prêmio de melhor espetáculo Saltimbancos, digo agora, entre os concorrentes: “Calota e Gasolina em trânsito”, “O Garanhão da melhor idade” e “Um quarto no vigésimo quarto”, ganhou para minha alegria, O GARANHÃO DA MELHOR IDADE, a qual eu tive o prazer de atuar.
Então, no momento em que ouço o nome do premiado, meus olhos se enchem de lágrimas, eu olho rapidamente para Neusa e Fausto, como se o mundo parasse naquele momento, até que Fausto se dê conta que sim, éramos nós, e se levante, ao lado se sua esposa, companheira, amiga, amante (como ele mesmo disse minutos depois) Neusa, para subir ao palco, não antes de levar um tombo nas escadarias no teatro, talvez pela emoção, talvez pelo peso de seus 62 anos de carreira, ou talvez pelo misto de tudo isso. Socorrido pelos colegas Áldice Lopes e João Luiz Fiani, que muito o respeitam, assim como toda a classe, por ser, talvez, o mais experiente, porque eu não teria coragem de dizer “velho” entre os artistas do nosso estado.
Então Fausto e Neusa brilham no palco recebendo seu merecido prêmio, e ainda, agradecendo tantos que os apoiaram, que os reconhecem, e ainda, pessoas como Suelen, a neta e filha desse casal que sempre está ao lado, o Marlon, seu neto e companheiro de trabalho, que pelas palavras de Neusa “tem futuro”, e agradecendo a mim, Vanessa Pampolini, quando pude somente soltar um grito meio abafado, entre lágrimas, no meio daquela enorme platéia dizendo “Obrigada vocês”, quando na verdade, gostaria de gritar ”Obrigada vocês, monstros do teatro paranaense, por acreditarem em mim, que apesar de 10 anos dedicados à arte me sinto uma criança de berço ao lado de vocês, obrigada pela amizade, além do carinho, da compreensão, do apoio e do voto de confiança”.
Neusa ainda me emocionou ao dizer para todos ouvirem “Vanessa, obrigada. Não desista do seu sonho, menina”. Ter crédito de uma pessoa como você, Neusa, e como você, Fausto Cascaes, é maravilhoso, e é essencial, depois de uma fase de crise, que cheguei a pensar em desistir do meu grande sonho que é fazer arte, que é viver disso.

Este prêmio é para mim um sinal dos céus, do meu grande Deus, de que sim, eu posso, de que sim, este é meu caminho, de que sim, a arte vale a pena.

Obrigada a todos que me apoiaram e a todos que torceram e torcem por mim e pelo meu sucesso.

Obrigada família, por me apoiar, por sonhar comigo. Mãe, vó, pai, namorado, sogra, sogro, cunhada, vósogra, George Sada (por lembrar de mim num momento crucial, me indicando à trabalhar com esses dois, pois se não fosse você, eu não estaria lá), Tia Bia, amigos que foram tantas vezes me assistir, Janaina (minha amiga de todas as horas), Kelly (minha anja, que me ilumina e me mostra o caminho quando estou perdida), Silvanah Santos, Rodolfo Garcia Vasquez, Ivan Cabral, Regina Beraldi (por me iniciar nessa linda arte do teatro, e ainda, da dramaturgia, mesmo sem os recursos necessários), Fátima Ortiz (que talvez nem se lembre, mas me ensinou muito ao me ajudar com minha monografia de pós graduação como tema "Comportamento do público curitibano em relação ao teatro - teatro reginal x teatro nacional" em 2003, o qual fui, graças à Deus muito bem sucedida), ao elenco da Companhia Anjos Boêmios, Samuel Rangel, meu antigo grupo “Por mares nunca dantes navegados”, e tantos outros que fizeram e fazem parte do meus sonhos.

Este foi apenas o primeiro passo para uma grande vitória. Eu sei, eu acredito.

Vanessa Pampolini

sábado, 7 de março de 2009

O Cagão

Tem que ser artista pra viver de arte no Brasil...
Aí o cara que estudou anos e ensaiou meses, vai para uma cidadezinha do interior de um estado do sul do país.
E em cidade do interior (por experiência própria) você se transforma numa Jolie, num Pitt fácil fácil....
Qualquer celebridade que passa despercebida nas capitais, nas pacatas cidades do interior soa motivos de feriado, muitos autógrafos rolam soltos, o transito muda de mão, as crianças correm atrás do carro, e por aí.
Então, voltando à história no nosso célebre de hoje, ele foi para essa cidadezinha, onde se transformou numa atração em dez minutos.
A banda fez o maior sucesso, conquistou fãs de décadas (e a banda era mais nova que os fãs clubes), e ao final do show, nosso artista deu autógrafos e se sentiu em Hollywood.
Após alguns minutos de fama e um jantar regado a muita bebida, nosso amigo sentiu algo estranho em seu ser, em seu eu interior. Algo como um alienígena querendo se transportar para fora, e ele só teve uma certeza. De que ia sair. Por algum lado.
O alienígena parecia que tinha proporções gigantescas e já estava berrando no intestino do nosso artista, quase já chamando atenção dos presentes.
Tendo em vista a banda insólita que se alojava em seu interior, o nosso artista correu para o banheiro para fazer o trabalho sujo. Literalmente.
Ao chegar sendo anunciado por sanfonas e trombones, identificou por uma voz mal humorada “Tem gente”, que o banheiro masculino estava ocupado, e que talvez o sujeito demorasse tempo suficiente para que a banda quisesse fazer seu show ao vivo.
O seu desespero era grande, mas ainda o permitiu ver que o banheiro feminino estava livre. Uma luz no fim do túnel. Sem pensar muito, pois a cabeça já não funcionava como normalmente, se desmanchou aos sorrisos no banheiro cheirosinho e limpo das madames da alta burguesia da cidade.
De repente ouve umas vozes alegres, risonhas e meigas. Sim, eram mulheres. E sim, iam querer usar seu trono abençoado.
Daí nosso amigo, ainda não tendo controle sobre a banda, permite inconscientemente que ela faça uma pequena apresentação para as moças que ali, do lado de fora, aguardavam sua vez.
As moças, cheias de pudores, e fazendo parecer que eram extra-terrestres que defecam por um tubinho saindo da coxa, (é verdade, ou você pensa que a Demmi Moorre não caga?) logo começam ouvir, sentir, e pior, comentar sobre a “moça porca que está no biombo”.
“Moça porca?” Mas que merda. É. Merda. Que bosta. Ta. Não encontramos outra palavra que se encaixasse melhor aqui. Bem, resumindo, nosso amigo ficou tão revoltado com os comentários das moças, que lá de dentro, deu vozes (agora propositalmente) à banda reprimida, na esperança de que as moças logo desistissem da eterna espera, ou que se rendessem ao biombo masculino, não tão limpo normalmente, mas no momento, viável.
E, que nada das moças irem embora, desistirem.
Elas se mantinham ali, do lado de fora do biombo, e ainda pôde-se ouvir “uma hora a moça porca tem que sair daí. Vamos esperar”.
Mas que bela bosta ao quadrado. Elas não iam desistir. Nem com as fragrâncias pelo ar, nem com o estrondo produzido, nada as faria desistir.
Nosso amigo artista (realmente deve ter realizado uma obra de arte naquele lugar) decide sair do seu esconderijo já que não haveria saída, nem por ventarolas, e também porque ele se convenceu que não passaria pelo buraco do vaso.
Ao sair, dá de cara com duas de suas novas fãs. Dá um sorrisinho, mais do que amarelo, e sai correndo do banheiro para mais alguns anos de anonimato.
A cidade preferiu esquecer o ocorrido após limpeza pesada feita por voluntários.
E assim, nossos artistas continuam no anonimato porque continuam cagando, mijando e tomando seus porres.

Erros

O que fazer quando erramos
Quando magoamos

Quando amamos
E magoamos
Dói mais em nós que no ofendido

Você não sabe como ser perdoado
Acho que perdoar é mais difícil
Que ser perdoado

A distância fica tão maior
A saudade mata
E o silêncio corrói

Não adianta noite de sono
Nem de insônia

Não consolam
As lembranças
Nem os planos

Tempo
Tempo
Às vezes tão necessário
Às vezes tão carrasco

quarta-feira, 4 de março de 2009

Analice...

Vagando pelas ruas
Andando de bar em bar
Na busca de marcas suas
Encontrei Analice a buscar
Seu par perfeito
Sem ao menos saber
As qualidades e defeitos

(Mais um presente do Cel. Ramirez pra nós)